Buscapé Blues: fazer arte plástica é prolongar a voz para além do microfone — é deixar que a tinta, o pincel ou o giz de cera cantem junto com ele. Sua obra convida o público a sentir, pensar, se reconhecer e, sobretudo, perceber que arte é resistência — e também sopro de liberdade.
Sua arte visual carrega camadas: colagens, materiais reaproveitados e traços orgânicos que dialogam com a estética marginal e a poética da rua. Assim como na música, há um improviso calculado — uma busca constante por novas combinações que surpreendem o olhar, tal qual uma guitarra que distorce acordes conhecidos para criar algo único.
Em telas, desenhos e intervenções, Buscapé Blues investiga cores, texturas e formas como quem toca notas de um blues rasgado — ora melancólico, ora festivo, mas sempre visceral. Seus temas passeiam por memórias urbanas, figuras do cotidiano, elementos da cultura afro-brasileira e símbolos que evocam tanto a luta quanto a celebração da vida.
C A R P I N T E I R O